Resenha do Raid da Meia Noite 2012

Meus Amigos, saudações jipeiras!

    Propositadamente deixei para elaborar esta resenha 48 horas após o término do Raid da Meia Noite porque, assim como muitos, ainda estou anestesiado pelo show de competência, dedicação e, acima de tudo, pelo sentimento de amor ao esporte Fora de Estrada evidenciado naqueles que gerenciaram mais este espetáculo. Homens que deixaram o aconchego dos familiares e seus palácios por pelo menos dez (10) finais de semana e, frise-se, sem ganho ou retorno financeiro de qualquer espécie, se doaram em prol do Off Road do Estado do Rio Grande do Norte. O Jeep Clube do RN se orgulha em ter como sócios os Srs. Flávio Bulhões, Eudo, Jonas, Luzardo, Luiz George, Luciano, Dilenize, Magaiver, Felipe, Tarcísio, Wilson Zumba, Jorinaldo, Edivar, Edilson, Aldemar, Lenilson e Jório. A este nossos penhorados agradecimentos posto que permanecera firme no resgate dos competidores mesmo após o acidente do seu irmão Jorinaldo. Homens que se dedicaram com a máxima obstinação ao mister do reconhecimento dos trechos para a realização do Raid. Portanto, neste sentido, deve-se consignar a mais alta gratidão e os merecidos parabéns pelo trabalho desenvolvido e aplicado na organização deste Raid 2012.

    A edição do Raid da Meia Noite deste ano contou com a valiosa ajuda técnica além do pactuado das pessoas de Dangleber e Juarez, aos quais os justos agradecimentos a estes renomados esportistas por vossas singulares colaborações, haja vista terem ocorrido imprevistos que forçadamente reduziram a mão de obra da organização. Amigos, a magia do Raid da Meia Noite ainda está para ser decifrada. Não se sabe ao certo se está associada por ser uma prova noturna, de resistência, de técnicas, de perícia, ou até mesmo de sexto sentido porque a visão fica adstrita apenas aos faróis do carro. Transpor obstáculos que contém lama e ainda durante o breu da madrugada exige do piloto e do copiloto bastante atenção e, sobretudo, muita perícia, haja vista o comprometimento da visibilidade. Entretanto, duma coisa se tem convicção: a adrenalina vai a mil nos segundos que antecedem o momento da largada para um trecho. Os batimentos cardíacos ficam acelerados, as pernas tremem juntamente com as mãos, o olhar ganha dimensões tal qual a águia, o olfato e a audição ficam aguçados, a respiração tornar-se intensa e tudo isto junto termina por comprometer o raciocínio impulsionando muitos a erros de navegação e até mesmo de pilotagem. Controlar esta adrenalina pela destreza talvez seja o segredo. Mas, controlando ou não, a magia ainda permanece firme aumentando a ansiedade para a chegada do próximo Raid.

    Os momentos hilários nunca deixarão de existir. A equipe TEJO, genuinamente formada por jeeps, composta pelo experiente piloto Magaiver juntamente com os neófitos Cândido Cotonete e Batista Boca, quando foram largar tiraram tantas fotos da equipe que os flashs das máquinas terminaram por ofuscar os olhos de Boca. Então, quando Aldemar autorizou a sua largada de Boca, este saiu em disparada para encontrar seus companheiros de equipe, que o esperavam no primeiro obstáculo. Na planilha do roteiro constava a seguinte informação: "Siga em sentido à Genipabu". Boca então não contou conversa, acelerou tudo que o Jeep podia oferecer. Magaiver e Cotonete ficaram a esperar seu companheiro de equipe e nada de Boca chegar. Preocupados, deram início a uma sucessão de chamadas pelo rádio:

    -Atento Boca, copia Magaiver?
    -Atendo Boca de Fuxico, copia Magaiver?
    E nada de Boca responder. Magaiver exclamava dizendo:
    -Cotonete, rapaz, cadê aquele homem pelo amor de Deus!?
    -Aonde aquele homem tá?
    -ATENTO, BOCA! ATENTO, BOCA!
    -Pu#@ Mer#@, cara! Agente vai se atrasar!
    Muito tempo depois, o celular de Magaiver toca e era Boca. Magaiver aflito indagou:
    -Boca, cadê você?
    Batista convicto e orgulho de si, respondeu:
    -Meu amigo Magaiver, nós vamos ganhar o raid porque passei de todo mundo e estou liderando o rally da meia noite e não tem ninguém na minha frente.
    Magaiver, curioso, indagou:
    -Como assim você está liderando o raid, Boca?
    Magaiver, eu cheguei primeiro aqui em Genipabu e já estou atravessando o rio numa balsa.
    O balseiro estava dormindo e deu um pouco de trabalho para acordar, mas joguei uma de aguinha nele e já estamos no meio do rio. Você quer que eu aguarde vocês aqui ou posso continuar? Magaiver, fumando numa quenga, retrucou tão alto que até o balseiro escutou:
    -Homi, você passou direto da entrada. Volte pelo amor de Deus!!!
    Batista quando se virou para o balseiro e viu o homem soltando fumaça pelas ventas, logo deu aquele sorriso aguado e disse:
    -Moço, por favor, o senhor pode me levar de volta para a margem?
    O balseiro, mais que danado da vida e já dando a volta, resmungou dizendo:
    -Onde foi que já se viu fazer rally em cima de uma balsa!

    Quando o dia amanheceu, mais precisamente no 4º obstáculo, outro momento hilário teve como protagonistas os off roaders Moreira e Diego. Igual a corrida maluca, num determinado trecho de regularidade a roda dianteira do Troller de Moreira caiu. Uma equipe de apoio formada por Pé de Chumbo, Combogó e o mecânico Ivanaldo deram a devida assistência colocando a roda de Moreira no lugar. Mais adiante em outro trecho de regularidade a roda caiu novamente. Moreira com ar de incrédulo então disse:

    -Diego, aonde que a roda foi parar?
    Diego, no auge da adrenalina, respondeu:
    -Moreira, sua roda está ali entre aqueles paus!

    A notícia logo se espalhou que Moreira estava com a roda solta entre os paus e muitos questionaram ao mecânico se ele havia apertado direito a roda do decano. Outros diziam que Moreira estava soltando a roda. Bom de qualquer forma, pessoal, o que interessa mesmo é que por duas vezes ele esteve literalmente fora do Raid e por duas vezes retornou à prova. Isto retrata que todo jeepeiro nato é, antes de tudo, persistente e teimoso, mesmo soltando a roda. Do carro é claro! Por fim, nobres amigos, vale destacar que a força motriz do Raid é todo o conjunto de administradores e competidores. Todavia, para que essa força motriz produza resultados é necessário uma ignição como impulso e energia suficiente para sua manutenção. Assim, neste raciocínio, é imperioso lembrar a locomotiva nominada de Flávio Bulhões. Este nome, não obstante aos demais, como Leonardo, o jovem Mateus, Eduardo "Bilu" e Gina Laranjeira, é sinônimo de puro amor ao esporte fora de estrada. Aqui encerro esta resenha dedicando toda honra e gratidão àqueles que trabalharam bem como àqueles competidores esportistas que agiram com ética e respeito ao esporte.

    Parabéns a todos!

    Carlos Janela

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